sábado, 26 de julho de 2008

O exercício do texto ficcional



MEIA VOLTA... VOLVER! [1]
Humberto Ilha


Brasileiros lutando contra brasileiros? Sim, senhor... Após o partido nacionalista ganhar as eleições na Alemanha, e antevendo um período de progresso nunca visto, teuto-brasileiros começaram a fazer o caminho de volta em busca de melhores condições de vida. Alguns saíram do Brasil em razão de hostilidades sofridas de cunho ideológico. Caso do pai de Alberto Roedter, deportado com a família sob a acusação de espionagem. Todos lanhados pelo preconceito estúpido. Com o advento da declaração de guerra, ninguém mais pode sair da Alemanha. Alberto e os irmãos foram convocados. Havia um novo desenho que permeava a cidadania, os direitos e os deveres de tantos quanto fossem alemães. Era um furdunço: “Quem está fora não entra e quem está dentro não sai”. Era de chorar, cantando “Piston de Gafieira”, de Billy Blanco e interpretado por Moreira da Silva nos idos de 1965. Lembrou, não é? Pois é, quando a Alemanha rangeu os dentes ficou desse jeito. Todo mundo vestiu farda em respeito ao Führer. Primeiro, foi por respeito, por ufanismo. Depois, foi na marra mesmo. A brincadeira estava se prolongando além da conta quando caiu a ficha dos mais puros. A Alemanha estava em guerra e valia tudo. Matar não era nada, o pior era morrer. “Eu quero ir para o recreio, gente...” Tarde demais, “ou dá ou desce”. Alguns saídos do Paraná e Santa Catarina foram mandados para a frente da Itália. O inimigo era tido como tropa de sanguinários. Uns tropicais embrutecidos que sangravam a golpes de peixeira. “Alto lá, mein Führer, são brasileiros... Faz isso não... É tudo gente fina... Deixa que a gente resolve essa parada na conversa”. Não adiantou, foram lutar. Mas houve um médico italiano que não pensava assim e livrou a cara dos brasileiros que lutavam pelo lado de lá. Atestou diagnóstico estranho para um Grupo de Combate: Endometriose.
[2] Foi o jeito para não deixá-los marcar gol contra. Direcionados para outra frente de batalha, acabaram ficando doentes de verdade. Depressão das brabas.

[1] Texto ficcional baseado na coluna de Ligia Martoni, publicada na edição de 09/11/2007 do Diário do Paraná, on-line.
[2] Doença caracterizada pela presença de tecido endometrial fora da cavidade uterina.

3 comentários:

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Anônimo disse...

Sim, provavelmente por isso e